Sábios antivacinais

Hoje me deparei com uma coluna interessante do médico Dráuzio Varella no site da Folha de S. Paulo.

Dráuzio é um daqueles notáveis de quem é difícil discordar. Dá pra seguir à risca tudo o que sai da boca do doutor sem pestanejar. A Folha tem outros colunistas da mesma estirpe: Hélio Schwartsman, Clovis Rossi, Elio Gaspari. Todos fenomenais.

Embora o doutor fale o óbvio – não há método mais barato, eficaz e rápido de imunizar os infantes do que vaciná-los – ainda tem gente que renega o óbvio, e prefere enfiar a cabeça no chão como um avestruz, fechando os olhos a todas as evidências científicas disponíveis e escancaradas à luz do sol.

O assunto não é lá muito relacionado ao tema do blog, mas o tangencia de certo modo. Se você filhos na tenra idade, não se deixe levar por comentários “anti-vacina” pouco sensatos de vizinhos, páginas obscuras da rede mundial de computadores, ou mesmo daquele médico pouco confiável que lhe recomendaram. Vacine seus filhos.

Me arrisco a dizer que a mesma lógica vale para seu problema de ansiedade, depressão, distimia, transtorno de humor: seja sensato, corra atrás de opiniões fundadas em base empírica. Homeopatia, chá mágico, bendição, simpatia, reza, nada disso vai resolver seu problema.

Como já dizia o célebre biólogo R. Dawkins: “Tenhamos as cabeças abertas, mas não tão abertas ao ponto de nossos cérebros se desprenderem delas”.

Foi-se mais um ano

A internet já sacramentou que 2016 foi o ano que teimava em não acabar. Foram tantos os acontecimentos de vulto e que mexeram com o nosso cotidiano que muitos ficaram atordoados.

Vieram o Impeachment, o Brexit, as Olímpiadas – que para surpresa geral foram um enorme sucesso – e o mais assombroso e impensável acontecimento dos últimos anos: Donald Trump, que foi cavando espaço com suas declarações misóginas, racistas e intolerantes, escanteou todos os outros pré-candidatos republicanos e virou o jogo para cima de Hillary Clinton, a candidata democrata.

Ok, agora que a cagada está feita, resta aos americanos juntar os cacos, erguer a cabeça e resistir o máximo que puderem aos desmandos deste protótipo de ditador laranjodérmico.

Mas deixando de lado os acontecimentos catastróficos de 2016, vou-lhes apresentar um pouco das estatísticas colhidas pelo Blog no ano passado. Foram 64.679 visualizações de visitantes oriundos de 76 países – ou territórios – do mundo (digo territórios porque o WordPress compila estatísticas de visitantes vindos de lugares como Aruba, Guadalupe e Hong Kong, por exemplo, que não são propriamente nações no sentido político do termo).

Segue a tabela com as estatísticas da procedência dos visitantes (apenas os 5 primeiros):

País Visualizações
Brasil 54.691
Estados Unidos 5.343
Portugal 3.650
Suíça 118
França 87

Como seria esperado, a maioria é de brasileiros, seguida de mais brasileiros que moram nos EUA (eu suponho) e dos portugueses. Como disse, há uma lista imensa de visitantes dos mais distantes rincões do planeta, o que eu presumo que sejam brasileiros espalhados mundo afora. Como tem brasileiro por aí!

O Blog também coleta os termos de pesquisa de alguns sites de busca. Os termos abaixo foram os 5 mais pesquisados pelos visitantes antes de aportarem ao Blog:

Termo de busca Visualizações
venlafaxina efeitos colaterais 57
desmame venlafaxina 35
venlafaxina 30
venlafaxina desmame 26
como parar de tomar venlafaxina 17

Abaixo seguem outros termos de pesquisa curiosos e alguns comentários meus, em vermelho (não levem tão a sério! emojirindo)

  • efexor xr com cerveja [cerveja é o elixir universal, vai bem com tudo, meu!]
  • venlift od gera esquecimento ? [ahn? como?]
  • porque ficar sem tomar venlafaxina da tontura?
  • parei de tomar o remedio venlift a uns tres mes e o sintoma q estou sintindo é medo
  • pristiq diarreia
  • efexor para concurso [chuta na C que sempre dá certo!]
  • quanto tempo devo ficar sem tomar venlift od antideprssivo se eu quise beber
  • lugar que de graça venlafaxina de 150mg
  • venlafaxina 35 mg altera a menstruação
  • qual o efeito do efexor no cérebro? [ele derrete seu cérebro!]
  • venlafaxina causa dor no braço [isso aí é excesso de punheta, amigo]
  • colorida tô de venlafaxina [daria uma boa fantasia de carnaval]
  • nao consigo gozar tomando venlift o qu3 fazer? [experimenta trocar de parceiro]
  • ver depoimento de pessoas q usam velafaquicina
  • brintellix passou mal
  • tem uma semana e meia que estou tomando venlafaxina ja me cinto melhor mas nao totalmente
  • venlift para tristeza e descontrole financeiro [pra descontrole financeiro eu recomendo picotar o cartão de crédito e cancelar a TV a cabo]
  • venlafaxina pode causar queda de cabelo sobrancelha [nossa! Dessa eu não sabia!]
  • eu tomava donarem parei sem.falar com meu medico.posso boltar a tomar [melhor falar pra ele, viu? Vai só tomar um puxãozinho de orelha]
  • como largar um antidepressivo que se toma a dez anos sem sentir falta? [ai, eu sei como é…. divórcio de antidepressivo é sempre litigioso]
  • tomo remedio controlado ha cinco anos sem orientacao medica
  • qual a quantidade de venlafaxina que mata [melhor nem saber]
  • estou tomando venlafaxina de 75 mg e estou gravida de um mes tem problemas
  • google como fazer para parar de tomar fluoxetina? [é, Google, comofas?]
  • tomei 1 capsula do venlafaxina e senti muito mal .o q faço
  • labirintos da loucura [ô, louco, não é um Blog pra maluco não!]
  • depois de tomar a velafaxina por 3 anos estou falando e movimentando durante o sono [melhor dormir numa cama baixa, porque o tombo pode ser feio. Imagina se for um beliche!]

Um adendo sobre o grupo de Whatsapp que muitos procuram nos comentários da página: não faço parte, não sou administrador e não tenho qualquer controle sobre ele. Porém os comentários ficam abertos para quem quiser deixar qualquer mensagem.

É isso aí! Feliz 2017 a todos.

Aniversário da Bupropiona

Faz um bom tempo que não dou as caras por aqui, mas hoje resolvi aparecer. Depois do traumático desmame da Venlafaxina, passei a tomar o Cloridrato de Bupropiona. Não me vejo preparado para iniciar outro desmame e, pelo que já passei, acho que a Bupropiona tem segurado as pontas, me proporcionando ao menos alguma estabilidade emocional. Então sigo minha rotina de deglutir aquele comprimidinho toda manhã, religiosamente. Uau, e isso já vai fazer um ano! Fiz meu aniversário com a Bupropiona, Yay!

Às vezes dou uma olhada nos comentários do Blog e nas estatísticas dos acessos e vejo que a audiência só tem feito crescer. Percebo que muitos buscam aqui ajuda porque simplesmente é difícil encontrá-la em outro lugar. A meu ver, isso é reflexo de algumas causas, que enumero:

  1. Alguns médicos desconhecem os graves efeitos colaterais do desmame súbito de qualquer antidepressivo – e em especial da Venlafaxina – e continuam a prescrevê-la e retirá-la como suco de caixinha, o que acaba resultando em desmames traumáticos;
  2. Os médicos são poucos claros e comunicativos. Não raro os pacientes saem confusos dos consultórios, e não me refiro aqui à péssima caligrafia de alguns médicos, mas às explicações sobre como se dará o tratamento, e o que pode se esperar deste ou daquele medicamento. Quanto à caligrafia, aliás, muitos médicos já se tocaram que poucos têm talento – e tempo – para a arte da decifração, e partiram para uma solução simples e prática: receita impressa diretamente do computador. Ponto para você, doutor dos garranchos, que poupa seus pacientes deste trabalho penoso de hierografia;
  3. A comunidade médica no Brasil é muito fechada, um clube que concentra uma pequeníssima elite que não dá o braço a torcer quando o assunto é socializar conhecimento. Outras áreas do conhecimento já passaram pelo processo de banalização, caíram de vez na internet, e esse é um caminho sem volta. Mas a Medicina ainda não passou por esse filtro, e muita informação ainda é restrita a grupos fechados, em que há pouca oxigenação de ideias. Por outro lado, nunca é demais lembrar que deixar um assunto técnico na mão de não-especialistas pode não ter o efeito que se esperava – o lobby pela liberação da fosfoetanolamina (que nome complicado!) no Congresso Nacional é um exemplo cabal disso, em que a opinião pública passou por cima das evidências científicas. Mas mesmo nesse caso a discussão que se desenvolveu no foro público foi muito elucidativa. Quem tinha acesso a tal “pílula do câncer” era quem conhecia um amigo que ouviu falar de um conhecido que foi se tratar com um oncologista que mencionou, meio sem querer, sobre uma substância ainda em fase de testes… Dá pra ter a ideia. O ótimo foi que, com todo o debate que se iniciou, a fosfoetanolamima saiu da penumbra em que se encontrava por vários anos. Outros setores da Medicina podem se beneficiar desta evidenciação. Ok, não vou mais escrever fosfoetanolamina para poupar o leitor.
  4. Não dá pra comparar a quantidade de informações disponíveis na internet em língua inglesa com o que temos à mão em português. Perdemos de goleada, e não estou falando de 7 a 1. O placar estaria mais para 70 a 1 e, dependendo da área em que se pesquisa, pode multiplicar a goleada. Por isso, repito, a internet é um banco de dados imenso com toneladas de informação sobre a Venlafaxina. Mas 99% está em inglês. Felizmente (ou não) daqui a alguns anos a inteligência artificial terá avançado tanto que as traduções simultâneas feitas por máquinas vão estar tão boas ou até melhores do que aquelas feitas por seres humanos. Bom para você, ruim para aquele cara que vai perder o trabalho de tradutor.

Para terminar, já que hoje à noite estou inspirado, vou comentar sobre o que, por acaso, li hoje num dos comentários, sugerindo uma boa alternativa aos antidepressivos: homeopatia.

Epa, aguenta aí, rapá, será que eu li direito? O ano é 2016, já existem carros autônomos circulando pelas ruas e meu celular até já conversa comigo, e ainda tem gente que cai nessa de homeopatia? Não vou escrever um tratado sobre os prós (existe algum?) e contras deste sub-ramo oculto da Medicina, mas deixo aqui um vídeo esclarecedor.

Zero Zero Zero

Zero Zero Zero de Roberto Saviano

Zero Zero Zero de Roberto Saviano

Estava curioso com o alvoroço que se formou ao redor da vinda (no final frustrada) do italiano Roberto Saviano à FLIP de Paraty, que aconteceu no início do mês.

FLIP é a Feira Literária Internacional de Paraty, no Rio de Janeiro, que costuma reunir escritores dos mais variados estilos, que fazem mesas redondas, leituras a céu aberto, tudo naquele clima paroquial, largadão, bem ao estilo interior. Uma feira descolada.

Bom, o fato é que o tal Roberto Saviano cancelou de última hora sua visita à Feira por motivos de segurança. Não que ele seja um cara paranoico, mas o fato dele ter escrito um livro que desvendou os segredos das máfias internacionais de drogas ilícitas fez da cabeça dele um belo prêmio, e hoje Saviano carrega esse fardo de viver vigiado por seguranças 24h por dia, sem muita liberdade para ir e vir, mais ou menos como o Edward Snowden – guardadas as proporções.

Decidi comprar o tal livro famoso do autor, cujo título é exatamente este: Zero, Zero, Zero. O começo é arrebatador, um tapa na cara do leitor, e muito bem dado. Depois a coisa vai ficando mais monótona. O livro gira ao redor da produção, do tráfico e do consumo de cocaína, que ele chama de petróleo branco.

O que me chamou a atenção – e eu já mencionei nisso noutra página aqui do blog – é o efeito bastante similar da cocaína em relação aos antidepressivos modernos. Pra começar, amico mio, o nome correto é Cloridrato de Cocaína. Vou copiar um trechinho do livro aqui para matar a sua curiosidade.

“O neurotransmissor foi reabsorvido, os impulsos entre uma célula e a outra foram bloqueados. É aqui que aparece a cocaína. Ela inibe a reabsorção dos neurotransmissores, e suas células estão sempre acesas, como se fosse Natal o ano inteiro, com as luzinhas cintilando 365 dias sem parar. Dopamina e noradrenalina: assim se chamam os neurotransmissores que a cocaína ama loucamente e que não gostaria nunca de perder. A primeira é a que te permite ser o centro da festa, porque agora tudo é mais fácil. É mais fácil falar, é mais fácil paquerar, é mais fácil ser simpático, é mais fácil sentir-se querido. A segunda, a noradrenalina, tem uma ação mais sub-reptícia. Em torno de você tudo se amplificou. Cai um copo? Você ouve antes dos outros. Uma janela que bate? Você percebe primeiro. Te chamam? Você se vira antes de terem pronunciado por completo seu nome. É assim que funciona a noradrenalina. Aumenta seu estado de vigilância e de alerta, o ambiente a seu redor se enche de perigos e de ameaças, se torna hostil, você sempre espera sofrer um dano ou um ataque. As respostas de medo-alarme são aceleradas, as reações imediatas, sem filtro. É a paranoia, sua porta escancarada. A cocaína é a gasolina dos corpos. É a vida elevada ao cubo. Antes de te consumir, de te destruir. A vida a mais com que você parece ter se presenteado, você pagará com juros de agiota. Mais tarde, quem sabe. Porém mais tarde não conta nada. Tudo é aqui e agora”.

Perdão, Saviano, por reproduzir sem te consultar. Mas foi só um trechinho! Hehehe! Eu comprei o livro digital na Amazon – sai mais barato e chega na mesma hora no seu tablet ou leitor digital. Quem se interessar, é fácil de encontrar.

Original ou genérico

Industria Farmaceutica RealNo último final de semana estive no Rio de Janeiro e tive a oportunidade de conversar com um amigo que é médico psiquiatra residente num hospital da cidade.

Interessado no assunto, aproveitei para perguntar sobre as práticas recônditas de médicos e laboratórios na ciranda financeira das drogas psiquiátricas, e o que ouvi era mais ou menos o que esperava: os médicos são assediados pelos laboratórios, recebem amostras para repassarem aos pacientes e alguns laboratórios chegam a oferecer aos profissionais viagens, ajuda de custo e outras coisas do tipo.

Uma das coisas que prendeu minha atenção no papo foi quando este meu amigo mencionou um caso de um colega seu: um representante comercial de um tal laboratório apareceu no seu consultório particular oferecendo custear a reforma da clínica e também uma viagem a um congresso com tudo pago, pelo fato do médico ser um prescribente frequente de tal remédio. O intrigante nesta história não é a oferta pouco decorosa do representante, mas o controle que o laboratório tem de quem prescreve tal ou qual droga – uma espécie de cabresto a controlar o médico.

De novo, não foi algo surpreendente: eu mesmo já havia notado este controle, inclusive tendo-o descrito num post do blog há uns tempos, quando escrevi que determinadas drogas dão um desconto absurdo no preço final se e somente se o paciente se cadastrar no seu site e informar dados pessoais e – bingo! – nome e CRM do médico.

Antes de recriminar médicos e laboratórios, deve-se reconhecer que esse modus operandi não é exclusivo da indústria farmacêutica e que nem todos os médicos vendem sua reputação por dinheiro.

Vejo muita gente aí preocupada com as intenções do médico que não quer que o paciente troque de remédio, ou que continue com o tratamento embora o paciente queira interrompê-lo. Calma lá, gente, o médico não é seu inimigo. A preferência pela droga original – em vez das marcas genéricas – é quase consenso, e nós mesmos agimos assim com quase todo produto disponível no mercado.

Quando chega a Páscoa, você parte para o supermercado e fica horrorizado com os preços dos ovos e com a disparidade de preço entre as marcas, e por vezes se pergunta, mas porra, é tudo chocolate, por que tanta diferença de preço? E muitas vezes, pasme, é a mesma fábrica que produz ovos para uma e para outra marca, mas o produto final tem preços muitas vezes bastante diferentes! Pois é, com remédio é a mesma coisa. No preço do remédio está embutido a credibilidade do laboratório, o modo de produção da droga, a confiança do consumir e outras variáveis.

Eu considero que o maior problema dos psiquiatras não é esse relacionamento nebuloso com os laboratórios, mas o fato de subestimar os efeitos colaterais da introdução e do desmame dos antidepressivos.

Um psiquiatra que passou pelas agruras do desmame da Venlafaxina vai pensar duas vezes antes de receitar a droga para um próximo paciente.

Resumo da ópera: remédio é como ovo de páscoa. Seu médico pode indicar um ou outro, mas quem decide qual tomar é você. Se seu médico é teimoso, converse com ele. Se não der certo e você tiver condições, troque de médico.

Retomada

Depois de alguns altos e baixos, conversas com psiquiatras e psicólogos, decidi retomar o tratamento com antidepressivos. Os dois psiquiatras que consultei me sugeriram que voltasse ao Cloridrato de Venlafaxina, ou ainda que tentasse a Desvenlafaxina, mas recusei veementemente.

Ao que me parece, pelo que pesquisei à época, essa Desvenlafaxina é mais uma jogada de marketing da Pfizer, que fez alterações muito sutis na estrutura molecular da Venlafaxina e trocou o nome do medicamento, registrando uma nova patente e um novo nome para vendê-la: Pristiq. O que o laboratório ganha com isso? Direito de exclusividade na venda do remédio por mais alguns anos, sem concorrência de qualquer outro laboratório.

Enfim. Percebi que estava mal e dei o braço a torcer, mas me recusei a retornar à Venlafaxina que tanto problema me causou. Um dos psiquiatras me receitou o Cloridrato de Bupropiona, que é um inibidor da recaptação da dopamina e da noradrenalina, um pouco parecido com a Venlafaxina.

Claro que, já ressabiado, pesquisei mundos e fundos sobre essa Bupropiona antes de engolir qualquer comprimido (quem já fez desmame sabe o porquê!). É uma droga utilizada para depressão e também para quem deseja parar de fumar – aparentemente controla a ansiedade do viciado na nicotina. Bem, não é o meu caso: eu nunca fumei. Mas pelo que pesquisei o desmame da Bupropiona não é tão traumático quanto o da Venlafaxina.

Comecei a tomá-la há uns 2 meses e tenho me sentido bem. É óbvio que, se pudesse, estaria limpo, sem tomar nada, mas a verdade é que precisava de ajuda.

Para todos aqueles que aportaram agora no blog, recomendo a leitura da minha história, no menu superior, e das dicas para o desmame da Venlafaxina, também numa abinha aí do menu.

Boa sorte a todos!

Recaída

Achei que a postagem passada seria a última do Blog, um belo remate de uma história com final feliz. Não foi o remate e a história não terminou feliz – pelo menos até agora.

Há aproximadamente 15 dias retornei ao trabalho e não tenho conseguido render o suficiente. Falta memória, falta concentração, e acima de tudo, falta motivação. Os planos para 2015 também foram por água abaixo.

Não sei qual o meu diagnóstico atual, se esta apatia generalizada é ainda reflexo do desmame da Venlafaxina ou se é o retorno da depressão que me levou a começar a tomá-la há alguns anos. O mais doloroso de tudo é que esse péssimo estado de espírito teme em não ir embora. E não me lembro de estar tão ruim, mesmo antes de iniciar o tratamento com o remédio.

Apesar dos percalços, continuo confiante de que vou melhorar, e deposito as esperanças no tempo. Quem sabe meu corpo ainda precise se adaptar melhor à retirada da Venlafaxina. Ou quem sabe eu tenha de reaprender a ver o mundo com mais benevolência.